O número de casos de sarampo registrados no estado de São Paulo chegou a 30 após a confirmação de mais duas infecções em crianças menores de dois anos na capital paulista. Os diagnósticos foram incluídos no balanço da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) depois da conclusão dos exames laboratoriais.
As duas ocorrências haviam sido notificadas em agosto e estão relacionadas a cadeias de transmissão que já eram acompanhadas pela vigilância epidemiológica. Com a atualização, a cidade de São Paulo passa a concentrar 27 dos 30 casos contabilizados no estado. Os demais foram registrados em São Bernardo do Campo, com duas confirmações, e Guarulhos, com uma.
A situação vacinal dos pacientes é um dos pontos que chama a atenção no levantamento. Em 22 dos 30 casos, as pessoas infectadas não possuíam registro de imunização contra o sarampo ou não haviam completado o número de doses indicado para a idade.
Ao longo deste ano, quatro cadeias de transmissão da doença foram reconhecidas pelas autoridades de saúde paulistas. A primeira surgiu entre março e abril e esteve associada a dois casos importados. Depois de três meses sem novas infecções vinculadas a esse grupo, o acompanhamento foi considerado encerrado.
As demais cadeias foram identificadas em junho, julho e agosto e continuam sob vigilância. O trabalho realizado pelas equipes estaduais e municipais busca reconstruir os possíveis caminhos de transmissão e localizar pessoas que possam ter sido expostas ao vírus.
Além do rastreamento de contatos, cada ocorrência é investigada individualmente. A partir dessas informações, os profissionais avaliam quais medidas precisam ser adotadas para reduzir o risco de novas infecções, incluindo a indicação de vacinação quando necessária.
Imunização continua
Mesmo com o encerramento das campanhas específicas contra o sarampo, a vacina permanece disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A recomendação varia de acordo com a idade e com as doses que cada pessoa já recebeu.
Pelo calendário de vacinação, a primeira dose contra a doença deve ser aplicada aos 12 meses de vida, seguida pela segunda aos 15 meses. Entre 15 meses e 29 anos, é necessário ter duas doses registradas, com intervalo mínimo de 30 dias entre as aplicações. Pessoas de 30 a 59 anos devem comprovar pelo menos uma dose.
Para trabalhadores da área da saúde, a orientação é diferente: são necessárias duas doses, independentemente da idade.
Dose antecipada para bebês
Crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias que vivem nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo podem receber uma aplicação antecipada da tríplice viral, conhecida como dose zero.
A estratégia também pode ser adotada para bebês dessa faixa etária que tenham tido contato com alguém com suspeita ou confirmação de sarampo. Nesses casos, a indicação depende da avaliação das equipes responsáveis pela vigilância.
A aplicação antecipada funciona como uma proteção adicional durante o período de maior vulnerabilidade, mas não altera o calendário regular. Assim, a criança que receber a dose zero deverá ser novamente vacinada aos 12 meses e, depois, aos 15 meses.

