O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enviou uma mensagem em vídeo ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A gravação foi exibida durante a convenção nacional do Partido Liberal, realizada em São Paulo em 25 de julho, evento que oficializou a candidatura de Flávio para as eleições de 2026.
Na mensagem, Netanyahu parabenizou Flávio pelo lançamento oficial da candidatura e fez elogios à relação entre o senador e Israel. O primeiro-ministro israelense chamou o candidato de “grande campeão do Brasil” e destacou sua atuação em favor da aproximação entre os dois países.
“Flávio, meu amigo, quero te dar os parabéns pelo lançamento oficial de sua campanha. Você é um grande campeão do Brasil e da amizade entre nossos povos”, afirmou Netanyahu no vídeo exibido durante o evento. Em seguida, declarou acreditar que o senador levaria o Brasil a “patamares mais elevados”.
A mensagem foi apresentada no evento do PL logo após a exibição de um vídeo de Jair Bolsonaro produzido com inteligência artificial. A participação de Netanyahu ocorreu de forma remota, por meio da gravação enviada especialmente para a convenção partidária.
O gesto reforçou a proximidade política entre Flávio Bolsonaro e o governo israelense. A relação com Israel é uma das pautas de política externa defendidas pelo grupo político ligado à família Bolsonaro, que mantém uma posição de aproximação com o governo de Netanyahu.
Antes mesmo da oficialização de sua candidatura, Flávio já havia sinalizado que pretende fortalecer as relações entre Brasil e Israel caso seja eleito. Em declarações recentes, o senador afirmou que pretende visitar Israel no início de um eventual governo, seguindo uma estratégia semelhante à adotada por seu pai, Jair Bolsonaro, que visitou o país em 2019, durante seu primeiro ano de mandato.
A manifestação de Netanyahu ganhou relevância no contexto da campanha presidencial de 2026 porque ocorre em meio a uma relação diplomática marcada por fortes divergências entre o governo brasileiro e o governo israelense.
Durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas duras ao governo Netanyahu e acusou Israel de praticar “genocídio” contra palestinos na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeita as acusações e mantém uma postura de forte oposição às críticas internacionais sobre sua atuação no conflito.
Em setembro, durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, Netanyahu voltou a atacar países que criticam Israel. Dezenas de delegações deixaram o plenário antes do início de sua fala, entre elas a brasileira. Posteriormente, circularam nas redes sociais informações falsas de que Netanyahu teria expulsado a delegação brasileira do local, mas checagens apontaram que os representantes do Brasil já haviam deixado o plenário como forma de protesto antes da declaração do primeiro-ministro israelense.
O episódio evidencia o contraste entre as relações mantidas pelo governo Lula e a postura defendida por Flávio Bolsonaro. Enquanto o atual governo brasileiro tem adotado uma posição crítica em relação à política de Israel no conflito com os palestinos, o candidato do PL busca se apresentar como defensor de uma aproximação mais estreita entre Brasília e Jerusalém.
O apoio público de Netanyahu também se soma a outras manifestações internacionais favoráveis à candidatura de Flávio. O presidente argentino Javier Milei, por exemplo, declarou apoio ao senador às vésperas das eleições brasileiras e voltou a fazer críticas ao governo Lula.
A mensagem de Netanyahu, portanto, tornou-se um dos elementos internacionais associados à campanha de Flávio Bolsonaro. Embora o vídeo tenha sido gravado meses antes do primeiro turno, a declaração voltou a ganhar repercussão durante a reta final da disputa presidencial, especialmente em razão da relação entre a política externa brasileira e a posição dos candidatos em relação a Israel.
No vídeo, Netanyahu não apresentou propostas específicas para um eventual governo de Flávio, mas destacou a expectativa de aprofundamento das relações entre os dois países. A declaração de que o candidato poderia levar o Brasil a “patamares mais elevados” foi apresentada como uma manifestação de apoio e confiança pessoal na candidatura.
A participação do primeiro-ministro israelense na convenção do PL ocorreu, assim, como uma demonstração pública de proximidade entre Netanyahu e o grupo político de Flávio Bolsonaro, em um momento no qual a política externa e a relação com Israel ocupam espaço relevante no debate eleitoral brasileiro.

