A mãe de Edson Davi Silva Almeida, menino desaparecido na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2024, afirmou ter procurado a Polícia Federal para entregar informações à Interpol após a divulgação do resgate de crianças nos Estados Unidos.
Em publicação nas redes sociais, Marize Araújo contou que esteve na Superintendência da Polícia Federal nesta quarta-feira (9) e disse manter a esperança de que o filho esteja entre 163 crianças resgatadas em uma operação realizada na Flórida.
“Se Deus quiser, meu filho está entre essas 163 crianças que foram resgatadas na Flórida. Vamos torcer para que esse sofrimento acabe”, declarou.
No entanto, procurada sobre o caso, a Polícia Federal informou que nenhuma criança brasileira está entre os menores localizados pelas autoridades da Flórida na operação mencionada pela mãe de Edson Davi.
Desaparecimento ocorreu em 2024
Edson Davi desapareceu em janeiro de 2024, enquanto os pais trabalhavam como barraqueiros na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
A investigação conduzida pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) apontou o afogamento como principal hipótese para o desaparecimento.
Na época, policiais analisaram imagens de câmeras de segurança em uma área de aproximadamente dois quilômetros. Segundo a Polícia Civil, nenhum dos registros indicou que o menino tenha deixado a praia.
As buscas também incluíram sobrevoos e o uso de câmera termográfica. Outras possibilidades foram investigadas, mas, segundo a polícia, não surgiram elementos que comprovassem hipóteses diferentes da linha de investigação adotada.
A família, porém, contesta a conclusão. Marize Araújo afirma acreditar, desde o início, que o filho tenha sido vítima de rapto e diz que a possibilidade não recebeu a atenção necessária durante as investigações.
Família questiona hipótese de afogamento
Os familiares contrataram uma investigação particular para analisar as circunstâncias do desaparecimento. O investigador Raul Ábacus afirmou ter ouvido 17 pessoas e sustentou que os depoimentos colhidos não confirmariam a hipótese de que Edson Davi tenha entrado no mar.
Segundo a família, o menino tinha medo da água. A Polícia Civil, entretanto, afirma ter obtido imagens que indicariam a presença da criança próxima ao mar no dia do desaparecimento.
A delegada Elen Souto, responsável pelo caso na DDPA, já afirmou que as informações reunidas pelos investigadores divergem da versão apresentada pela apuração particular.
“Nunca houve suspeita de sequestro, pois tecnicamente, pela análise das imagens, ele não saiu da praia. As testemunhas, por sua vez, o colocam indo em direção ao mar, pedindo prancha para ir para a água. A visibilidade dos banhistas à água estava restrita”, declarou a delegada.
Segundo a Polícia Civil, depoimentos do pai do menino e de um funcionário da barraca também indicariam que Edson Davi foi visto próximo à água ou na beira do mar na tarde em que desapareceu.
Denúncias foram investigadas
Desde o desaparecimento, diferentes denúncias sobre possíveis aparições do menino chegaram às autoridades.
Em maio, Marize Araújo encaminhou à 41ª DP, no Tanque, uma informação de que Edson Davi teria sido visto no Pechincha, em Jacarepaguá. Testemunhas também relataram ter ouvido supostos gritos de socorro com voz infantil vindos de uma residência.
Investigadores foram até o endereço, mas não encontraram indícios da presença do menino ou de outra criança no local.
Outras denúncias apontaram possíveis aparições de Edson Davi na Barra da Tijuca, em Fortaleza e em São José dos Campos. Houve ainda uma informação de que ele estaria em um avião que fazia o trajeto entre Recife e Confins, em Minas Gerais.
Neste último caso, a Polícia Federal abordou um casal que viajava acompanhado de uma criança com características semelhantes às do menino desaparecido. Nenhuma das denúncias, porém, levou à localização de Edson Davi.

