O preço do petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), impulsionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pelos riscos de interrupções no fornecimento da commodity.
Por volta das 11h, o barril do Brent, referência internacional, avançava 2,63%, cotado a US$ 100,50. O WTI, principal referência nos Estados Unidos, subia 2,77%, negociado a US$ 95,61.
É a primeira vez em mais de um mês que o Brent alcança novamente o patamar de US$ 100.
Ataques aumentam preocupação com oferta de petróleo
A valorização ocorre em meio à intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já se estende por seis meses. Nesta semana, ataques realizados pelos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia no sul da Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo.
A ofensiva também aumentou a preocupação com o transporte da commodity pelo Mar Vermelho, atualmente uma das principais rotas alternativas ao Estreito de Ormuz.
Antes do início da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo estreito. Desde o começo do conflito, porém, o fluxo pela região foi fortemente reduzido.
Um porta-voz militar dos Houthis afirmou, após os ataques, que o grupo pretende anunciar uma ampla operação em território saudita, indicando uma possível nova escalada das hostilidades.
Segundo o Ministério da Energia da Arábia Saudita, algumas instalações foram atingidas e tiveram as operações interrompidas. Equipes de emergência e bombeiros foram enviadas ao local para controlar os incêndios e avaliar os prejuízos.
“As autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques”, afirmou o ministério em comunicado. Segundo a pasta, serão adotadas medidas para garantir a segurança dos trabalhadores e a continuidade das operações.
Navios iranianos também foram atacados
Na terça-feira (8), os Estados Unidos também realizaram ataques contra navios petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária. Segundo autoridades americanas, a ação ocorreu em retaliação a uma tentativa do Irã de atingir uma embarcação da Marinha dos Estados Unidos.
De acordo com o Comando Central dos EUA, cinco embarcações foram destruídas.
O agravamento do conflito levou instituições financeiras a revisar suas projeções para o mercado de petróleo. Bancos como Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram suas estimativas para os preços da commodity.
Uma alta prolongada do petróleo pode aumentar os custos de energia em diversos países e contribuir para uma pressão maior sobre a inflação global. Nesse cenário, bancos centrais podem enfrentar dificuldades para reduzir os juros ou até considerar novas elevações das taxas.
Fluxo pelo Estreito de Ormuz despenca
Os impactos sobre o transporte de petróleo já aparecem nos dados de circulação pelo Estreito de Ormuz.
Na semana encerrada em 30 de agosto, antes da retomada dos combates, entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia passaram pela região, segundo dados divulgados pela Reuters e atribuídos ao economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti.
O volume representava o dobro do registrado na semana anterior. Mais recentemente, porém, o fluxo caiu para menos de 2 milhões de barris por dia.
Mesmo com o aumento da produção em países que não integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Estados Unidos, Canadá e Guiana, a oferta mundial pode ser afetada pela instabilidade no Oriente Médio.
A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a produção global de petróleo recue 4,3 milhões de barris por dia neste ano, o equivalente a aproximadamente 4%.

